Vinicius de Moraes: o eterno – Nosso Idioma

“Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural”. Essa fala, atribuída ao poeta Carlos Drummond de Andrade, explicita características da poética e da vida de Vinicius de Moraes, como a naturalidade de seus versos para expressar sentimentos e uma história de vida regrada pela busca da plenitude. Não por acaso, o poeta casou-se nove vezes, tateando no amor a completude que na religião não alcançou.

Poética De manhã escureço De dia tardo De tarde anoiteço De noite ardo.

A oeste a morte Contra quem vivo Do sul cativo O este é meu norte.

Outros que contem Passo por passo: Eu morro ontem

Nasço amanhã Ando onde há espaço: – Meu tempo é quando.

Vinicius de Moraes. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2ª. ed. 1986.

Vinicius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 1913. Formou-se em Direito e trabalhou como diplomata, jornalista, poeta e compositor. Apesar de servir como diplomata nos Estados Unidos, Espanha, Uruguai e França, nunca perdeu o contato com o universo literário e artístico do Rio de Janeiro. No final da década de 1950, contribuiu para a criação do estilo musical Bossa Nova, tendo como parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell e Carlos Lyra, entre outros. Sua obra é vasta e envolve a literatura, o teatro, o cinema e a música. Morreu no Rio de Janeiro, no ano de 1980. A obra de Vinicius tornou-se fundamental para conhecer um pouco da tradição lírico amorosa da poesia brasileira. Outra característica marcante de seus poemas é a musicalidade. Com o amadurecimento, o sentimentalismo de sua obra inovou ao desmistificar a abordagem amorosa, inclusive no aspecto linguístico. Também na maturidade, a simplicidade toma conta de sua fala e ganha os leitores:

Soneto do amor total

Amo-te tanto, meu amor… não cante O humano coração com mais verdade… Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante, E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente, De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde, É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2ª. ed. 1986.

Esse poema pode ser considerado uma síntese do conceito de amor elaborado pelo poeta. A busca de viver o amor em todas as suas expressões desde o calmo amor prestante (idealizado) até a sensualidade. De um amor sem mistério e sem virtude /Com um desejo maciço e permanente para que todas as formas de amar sintetizem-se num amor pleno, total, marcado pela intensidade: Hei de morrer de amar mais do que pude.

A leitura dos poemas de Vinicius de Moraes apresenta-nos alguém que foi capaz de libertar-se dos paradigmas que sua formação lhe colocou e reinventar-se. Os estudiosos e os biógrafos destacam a intensidade como uma característica permanente da vida e da obra do poeta. Desvende outros poemas: leia-os, recite-os e revisite-os. Boa leitura!

• Neste link você pode ter acesso às obras e biografia de Vinicius de Moraes: http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/

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