Que abordagem a escola de seus filhos dá às línguas de herança? – Nosso Idioma

É muito importante que as escolas adotem uma abordagem curricular multicultural para que crianças e jovens oriundos de minorias linguísticas possam viver sua múltipla identidade, ao mesmo tempo em que crianças e jovens da cultura dominante aprendam a conviver com a diversidade.

Muitas vezes, professores, coordenadores e diretores dizem valorizar as minorias em suas escolas ao promover eventos culturais em dias determinados do ano letivo. No entanto, a proposta de um currículo multicultural vai muito além de promover festas e dar a conhecer comidas típicas e heróis. Essas iniciativas são bem-vindas, porém, se isoladas mostram um entendimento superficial do que é uma pedagogia multicultural.

Um currículo multicultural propõe que a tolerância, a aceitação e o respeito às minorias construa-se de forma crítica no dia-a-dia. Por exemplo, ao incluir a utilização de textos de autores de culturas não-dominantes no currículo; ao investigar estereótipos e os modos como estes representam grupos sociais; ao examinar as variedades linguísticas e o modo como as sociedades as valorizam; ao observar, tornar evidente e discutir conflitos dentro da própria escola; ao promover a diversidade de entendimentos, entre outras atitudes.

A construção de um currículo multicultural busca representar que dentro e fora da escola vive-se uma sociedade de muitas línguas e culturas e que os aprendizes falam e convivem diariamente com situações em que essa diversidade é desafiada e celebrada de forma complexa. Quando, por exemplo, a criança ou jovem serve de tradutor de um termo, expressão, ou documento do inglês para a língua de herança para seus pais ou vizinhos. De que forma a escola valoriza essa habilidade do aluno bilíngue?

Infelizmente, o que vemos nas escolas é uma predominante ideologia do déficit: a criança vinda de uma família que não usa a língua dominante é classificada como de proficiência limitada e não como uma pessoa que carrega uma diferente cultura e língua. Quando o exercício cognitivo e social dessa criança será contabilizado? É claro que precisamos e valorizamos o acesso a um modo eficiente de aprender a língua utilizada pela sociedade, mas isso não deve representar a desvalorização de uma língua-cultura já adquirida.

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