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A quantas anda o português na Itália? – Nosso Idioma

Apesar de a língua portuguesa possuir os pré-requisitos numéricos que asseguram sua importância em nível internacional, alguns dados evidenciam a escassa atenção dispensada ao idioma por parte das instituições universitárias italianas, subaproveitando-se, assim, o potencial que a língua atualmente oferece. Nota-se, na verdade, certa incongruência do mundo acadêmico italiano em relação à área de língua portuguesa. Ao mesmo tempo em que esse campo de estudo, sob certos aspectos, demonstra considerável solidez, por exemplo, o número de instituições que oferecem o ensino do português, o fato de possuir um setor disciplinar de língua independente do setor de literatura (além do português, somente o alemão, o espanhol, o francês e o inglês possuem um setor linguístico disciplinar próprio), um número significativo de estudantes, etc., por outro lado, o ensino do português na Itália revela carências estruturais quando comparado com outras línguas, particularmente no que diz respeito à inconsistência numérica do corpo docente e à comprovada dificuldade de se encontrar materiais didáticos, sobretudo do português do Brasil.

De acordo com os dados do Ministero dell’Istruzione, dell’Università e della Ricerca – MIUR (instituição equivalente ao Ministério da Educação), há atualmente apenas 13 docentes efetivos no setor de língua portuguesa na Itália, em contraste com, por exemplo, 112 docentes efetivos de língua alemã, 136 de francês, 138 de espanhol e 333 de inglês. Observa-se, também, que a ausência de uma sólida política linguística da parte do Brasil, voltada especificamente para a promoção do português brasileiro, incide de modo determinante na oferta de cursos das universidades na Itália, bem como na própria formação dos professores italianos, que acaba sendo pautada – por óbvias razões geográficas – no português de Portugal.

Tal situação é visível quando se analisam os materiais didáticos de língua portuguesa publicados na Itália. Embora seja possível encontrar alguma referência ao português brasileiro, a vasta maioria deles não apresenta de modo abrangente os aspectos linguísticos e culturais do Brasil, assim como não exibe os variados usos do português brasileiro contemporâneo.

No tocante às variedades nacionais que compõem o espaço lusófono, difunde-se cada vez mais na Itália a tendência de distinguir o português europeu do português brasileiro. Desse modo, a heterogeneidade linguística entre Portugal e Brasil é marcada não só terminologicamente pela denominação do setor disciplinar como “Lingua e traduzione – lingue portoghese e brasiliana”, mas principalmente pela presença, em diferentes instituições, de professores das duas variedades (geralmente falantes nativos). Hoje, portanto, ainda que prevaleça o ensino do português europeu, o potencial econômico do Brasil e a projeção do país no cenário mundial fazem com que o ensino do português brasileiro conquiste espaços mais consistentes nas universidades italianas.

O desafio com que se depara o mundo acadêmico italiano é, portanto, intervir tempestivamente para preencher essas lacunas, agindo sobre os diferentes fatores com adequado esforço em termos de comprometimento organizacional e qualidade de ensino.

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