Estudar Português com Literatura – Nosso Idioma

Para conhecer um idioma é necessário entender os diversos contextos, variações linguísticas, situações de comunicação e, principalmente, a cultura, uma vez que é impossível aprender uma língua sem também considerar sua história e os costumes dos povos que a falam. E se o aprendizado da língua portuguesa tivesse como forte aliada a literatura lusófona? Será que esse processo de aprendizagem não seria ainda mais interessante?

O texto literário, seja ele escrito ou oral, inspira variadas interpretações e permanece na história por anos, sendo possível até proporcionar experiências atemporais, representações culturais, ideológicas e movimentos artísticos ao aluno e leitor. Segundo a professora Regina Sellan, coordenadora pedagógica do curso de PLE da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, “o discurso literário é uma forma de representação do que acontece no mundo, refletindo, pelas marcas linguísticas, as ideologias dos grupos sociais que se encontram em constantes interações conflituosas, em diferentes contemporaneidades”.

Pablo Noya Mouzo, que é atualmente estudante Erasmus da Universidade do Porto, já fez inúmeras viagens a Portugal e cursou um semestre de Letras no Brasil, na Universidade Federal do Ceará. Quando questionado sobre a importância de estudar a literatura lusófona como maneira auxiliar no aprendizado da língua portuguesa, Pablo concordou que a literatura é sempre uma boa opção para aprender um novo idioma: “Quando uma pessoa lê, sempre aprende muito vocabulário e também tem contato com outras culturas, o que é uma forma de tomar conhecimento de outro país. Há muitas pessoas que aprendem aspectos culturais, expressões, gírias e vocabulário típico por meio da literatura”.

Segundo outra estudante, Erasmus, da Universidade do Porto, Taru Adler, é possível aprender uma nova língua de duas maneiras, falando e lendo: “A oralidade é uma dimensão social e te une à comunidade de fala da língua que estás aprendendo. A leitura da literatura, no entanto, é a dimensão privada na aprendizagem de uma língua; é a relação íntima entre o novo falante e a língua, sem intervenção de outras pessoas. Uma relação em que a língua é só tua e podes conhecer e maravilhá-la com tranquilidade e com paixão”.

Taru ainda considera que no geral não é mais difícil aprender português por meio da poesia do que por meio de um romance. Na poesia o leitor tem menos matéria linguística, dessa forma “pode concentrar-se mais nas palavras e talvez consiga aprendê-las com mais profundidade, principalmente porque a poesia costuma ser mais “inovadora” com as palavras, dando a elas outros significados”. A condição de se trabalhar com poesia em sala de aula é permitir brincar com as palavras e seus sentidos, o jogo do dito e não-dito, da metáfora e da sonoridade.

Muitos alunos e professores se mostram entusiasmados com o ensino do português a estrangeiros por meio da literatura, embora seja um trabalho que precisará de mais tempo e que mexerá com a sensibilidade artística do aprendiz. É importante não esquecer, também, que é necessário considerar outros meios de expressões artísticas além da literatura, como o cinema, música, teatro, novela e artes plásticas, outros riquíssimos “cúmplices” no processo de aprendizagem, e considerar que aprender uma língua é muito mais do que apenas estudar palavras escritas.

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