Exame de Proficiência em Português Língua Estrangeira: o Celpe-Bras – Nosso Idioma

Se em algumas áreas o Brasil ainda precisa importar pessoal especializado, em outras, tem se destacado como produtor de conhecimentos, como no caso das Artes, Ciências Sociais e das Ciências Biológicas, o que atrai estudantes de todo o mundo para a realização de cursos como História, Sociologia, Música, Artes Cênicas, Biologia, dentre outros, conforme relatos de vários alunos de intercâmbio.

Isso leva à necessidade de capacitação de profissionais atuantes no ensino e na avaliação de Língua Portuguesa para Estrangeiros, variante brasileira. O Ministério da Educação do Brasil, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, criou o Celpe-Bras, o único exame que emite certificado de proficiência em português como língua estrangeira reconhecido oficialmente no Brasil. Trata-se de um exame relevante para todos os estrangeiros (e até para brasileiros nascidos e sempre vividos no exterior que não têm o Português como língua nativa) que queiram trabalhar em empresas brasileiras ou multinacionais que exijam a Língua Portuguesa como língua de interação. Esse exame é internacionalmente aceito como comprovação de competência em Português Brasileiro.

O Celpe-Bras também é um exame de suma importância para estrangeiros que desejam ingressar em cursos de graduação e em programas de pós-graduação no Brasil, bem como para aqueles que desejam validar diplomas para exercer atividade profissional. Entretanto, não se trata de um exame de qualificação profissional para lecionar Língua Portuguesa, uma vez que essa função requer uma formação específica, que envolve habilidades e competências não avaliadas no exame.

Aplicado em postos espalhados por todas as regiões brasileiras e em diversos países do mundo, o exame Celpe-Bras tem por coordenação geral o Instituto Nacional de Avaliação e Pesquisa Educacional (INEP), com sede em Brasília.
O estrangeiro que deseja o certificado Celpe-Bras de proficiência em Língua Portuguesa, vertente brasileira, deve submeter-se a duas etapas avaliativas. A primeira, que consiste de uma parte escrita, recentemente passou a ter duração de três horas e a segunda, referente a uma parte de desempenho oral do candidato, tem duração de vinte minutos.

Na primeira etapa, as tarefas têm por foco a compreensão do que o candidato lê e sua produção escrita a partir dos temas propostos. Cabe ao examinando dar uma resposta, ou seja, realizar uma ação, a qual é avaliada quanto à seleção das informações: que achou relevantes e adequadas; que é capaz de utilizar em sua produção escrita estabelecendo relações com seu ponto de vista. A(s) ação(ões)do sujeito sob avaliação passa(m) por um processo quantitativo e qualitativo do avaliador em relação à adequação ao gênero discursivo proposto (carta, propaganda, depoimento, guia de orientação, dentre outros), à coesão, à coerência, à adequação lexical e gramatical, além da adequação ao interlocutor.

Por sua vez, a segunda etapa, destinada à avaliação do desempenho oral do candidato, com duração de vinte minutos, visa inicialmente a uma interação oral, ou seja, a uma conversa entre candidato e entrevistador a partir de atividades e interesses mencionados pelo examinando na ficha de inscrição, tendo continuidade com trocas de ideias sobre tópicos da atualidade, da vida contemporânea, cotidiana, com base em trêselementos provocadores, dentre várias possibilidades existentes (fotos, cartuns, quadrinhos, textos curtos, etc). O avaliador observa a habilidade de compreensão e interação do examinando no fluxo natural da conversação, ou seja, se este usa recursos interacionais e estratégicos para contribuir para o desenvolvimento da conversa; se apresenta flexibilidade de mudança de tópico; se usa estratégias comunicativas (gestos, olhares), se mostra adequação ao interlocutor (mais / menos formal); se fala sobre o tópico com fluência, mantendo o fluxo da interação; se a pronúncia é adequada, não só em relação à produção fonológica, mas também em relação ao ritmo e à entonação. Ainda é observado o léxico, em sua extensão e adequação e a gramática, quanto à variedade e uso adequado de estruturas linguísticas. Para isto, o avaliador utiliza diversos gêneros textuais (fotos, cartuns, textos breves, por exemplo) como base para a conversa, a partir dos quais o examinando é solicitado a responder perguntas que podem ir do âmbito mais específico (relativas à experiência pessoal do candidato: trabalho, estudo, habitação, lazer…) ao mais geral (referentes ao conhecimento de temas globais, como, por exemplo, Amazônia, ou comportamentais: mentira, casamento, etc), de modo que o examinando possa mostrar suas habilidades em relação a um conjunto variado de operações, propósitos, interlocutores, gêneros do discurso e tópicos.

Para obter o certificado, o examinando deve alcançar desempenho em ambas as partes do Exame. O Celpe-Bras avalia quatro níveis de proficiência: Intermediário, Intermediário Superior, Avançado e Avançado Superior. Contudo, uma questão diretamente relacionada ao ensino de língua estrangeira e avaliação se faz presente nesse exame: uma nova visão em proficiência em língua estrangeira, objeto para um próximo texto.

 

Para saber mais sobre o assunto pesquise:
http://portal.inep.gov.br/celpebras

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