Ai, que saudade eu tenho da Bahia (Dorival Caymmi) – Nosso Idioma

O escritor baiano Jorge Amado faria 100 anos em 2012. Em comemoração, O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, abrigará, a partir do dia 27 de março, a exposição Jorge, Amado e Universal. Ao longo do ano, as homenagens serão muitas e diversas, até o samba-enredo da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense versejou “Ao mestre escritor, um canto de amor. Jorge Amado, saravá!”.

Jorge Amado nasceu em 1912, no município de Itabuna, Bahia. Mas logo a família mudou-se para Ilhéus, onde seu pai foi um dos desbravadores da região cacaueira.

Estudou em Salvador, depois no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito em 1935. Em 1945 casou-se com a escritora Zélia Gatai, com quem viveu até o fim de sua vida e teve dois filhos. Foi eleito deputado pelo Estado de São Paulo em 1945, e participou da Assembleia Constituinte em 1946. Foi responsável por diversas leis que defenderam e incentivaram a cultura brasileira, como a lei que assegura a liberdade de culto religioso.

Devido à militância política exilou-se na Argentina, Uruguai, Paris e Praga até 1952. Em 6 de abril de 1961, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Jorge Amado morreu em Salvador, em 6 de agosto de 2001 às vésperas de completar 89 anos.

Seus livros alcançaram repercussão internacional e foram traduzidos para cerca de 40 idiomas. Ao longo de 60 anos de vida literária, escreveu 33 livros, editados em 52 países. Muitas de suas obras foram adaptadas para o rádio, o cinema, a televisão e o teatro, transformando seus personagens em parte indissociável da vida e da cultura brasileira.
O autor de Tieta do Agreste (1977) escreveu romances em que retrata a região cacaueira de Ilhéus, como Terras do Sem Fim (1943), considerado sua obra-prima por alguns críticos literários. Entre as narrativas mais populares, estão aquelas em que se evidenciam o picaresco e o erotismo, como A morte e a morte de Quincas Berro D´àgua (1961) e Gabriela, cravo e canela (1958).

Em 2011, a neta do escritor, Cecília Amado, dirigiu a versão cinematográfica de Capitães da Areia. Desde sua publicação, em 1937, o livro foi alvo de escândalo e censura. No contexto do regime político repressivo do Estado Novo, o jornal O Estado da Bahia, de 17 de dezembro de 1937, descreve que foram incinerados em Salvador, na presença dos membros da Comissão de Busca e Apreensão de Livros, mais de mil e setecentos exemplares da produção de Jorge Amado.

No entanto, Capitães da Areia seduziu e tem seduzido várias gerações de leitores que se tornam íntimos do líder Pedro Bala, do religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas, do sensato Professor, entre outros. “Eram na verdade os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas.” (Jorge Amado, Capitães da Areia). Com uma prosa envolvente, o autor nos aproxima desses garotos que, abandonados pelas famílias, entregam-se a pequenos furtos para sobreviver. Enquanto critica a divisão da sociedade em classes, o livro mostra o companheirismo e a humanidade desses personagens, que valorizam a liberdade.
Ler Jorge Amado é uma oportunidade de matar sua saudade da Bahia. Boa leitura!

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