Em viagem a São Paulo levei meu filho de quase quatro anos para visitar o Museu da Língua Portuguesa. Em exposição permanente, uma tela gigantesca apresenta as festas populares e os diversos falares do português brasileiro. Seus olhos atentos devoraram aquela língua e aquelas manifestações culturais. De vez em quando olhava para mim e repetia alguma palavra que ouvia: português, carnaval, maracatu!

O episódio fez-me lembrar do valor de aprender a língua em sua real dimensão. Para além de uma aula de alfabetização, ele experimentava a língua e sua expressão numa vivência marcante. A língua é mais que um código a ser decifrado, é um meio de representação a ser apropriado por meio de experiências que despertem a reflexão do sujeito sobre si e sobre o mundo. O episódio fez-me também refletir: qual ensino de língua desejamos? Que herança transmitiremos?

Ao pensarmos a transmissão de nosso idioma não podemos nos limitar à alfabetização, isto é, ao ensino da decodificação das palavras. Ensinar nossa língua a nossos filhos é transmitir nossa cultura. Produzir linguagem é produzir um discurso. Sim, é necessário conhecer as letras e aprender as palavras, mas também é preciso ter o que dizer.

Acredito que os esforços em transmitir nossa herança não se limitam à transmissão da língua, mas em fazer conhecer, interpretar, usufruir e produzir a língua e seus bens culturais como literatura, música, artes visuais, dança, folclore, entre outros.

Um exemplo dessa condução do ensino que integra língua e cultura é adotada na Miami Beach Senior High School: Os alunos são requeridos que apresentem projetos criativos baseados na cultura brasileira e de outros países lusófonos; tenham envolvimento em eventos culturais, em oficinas e dramatização, comenta a professora Anete Arslanian, que também valoriza a prática da escrita e da diversidade de gêneros discursivos por meio de um jornal produzido pelos estudantes de Português de nível avançado.

Beatriz Cariello, professora de Português na Doral Middle School, utiliza a cultura popular para promover o aprendizado da língua: lendas, personagens do folclore, simpatias e superstições, trava-línguas e festas típicas são trabalhados em sala de aula. Beatriz afirma que uma das riquezas do curso está no fato de falantes de português e de espanhol o frequentarem, o que possibilita o compartilhar das manifestações populares de cultura desses dois universos linguísticos.

Nossa língua, que herança? Podemos nos apropriar de vários objetos culturais para transmitir a nossos filhos a língua portuguesa: um livro, um quadro, uma apresentação de capoeira, enfim, tudo pode se tornar um texto a ser lido e vivido, basta que atentemos nosso olhar para essas manifestações e criemos a oportunidade de compartilhá-lo com nossos filhos.

• Para quem desejar ler boa literatura com seus filhos, visite o site da escritora Ruth Rocha. Lá você vai encontrar alguns de seus livros, jogos com palavras e outras viagens interessantes.

http://www2.uol.com.br/ruthrocha/home.htm

• Para quem ficou com vontade de conhecer um pouco do Museu da Língua Portuguesa, eleito o melhor museu do Brasil:

http://www.museulinguaportuguesa.org.br/

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